domingo, 18 de dezembro de 2011

Sobre as nossas crenças

Hoje vou tocar em um assunto bem delicado. Fui batizada e fiz a primeira comunhão, mas não me considero católica. Missas me dão sono, nunca sei a hora de falar o "Graças a Deus" e tem muita coisa que não acredito. Apesar disso, de vez em quando sinto vontade de entrar em alguma igreja e ficar ali por um tempo, pensando, conversando com Deus. Não acredito em promessas, acho que Deus é bondoso demais para pedir algo em troca. Te dou tal coisa e você sobe a escadaria da Penha de joelhos. Não é por aí. Não concordo. Também acho que a gente não precisa rezar o terço, nem uma Ave-Maria ou Pai Nosso. Por que rezar uma coisa decorada? Não é muito melhor bater um papo, abrir o coração, dizer o que sente de uma forma natural e espontânea?

Quando eu era pequena achava que Deus era o Papai Noel. O bom velhinho era boa gente, gostava de crianças, fazia Ho Ho Ho e distribuía sorrisos. Melhor analogia impossível. Depois que cresci descobri que o Papai Noel não existe e que Deus não é uma pessoa. Para mim, Deus é uma forma incrível, enorme, superior. Faz milagres, sim. Tem poderes, sim. Mas não é gente que nem eu, que nem você.

Odeio fanáticos de qualquer tipo. Respeito todas as religiões, mas não gosto de fanatismos. Gente que coloca tudo na mão de Deus, gente que acha que Deus castiga, Deus pune, Deus dá. Na adolescência, me voltei para o espiritismo. Tem muita coisa ali que acredito: acho que tudo nessa vida tem um propósito, acho que cada um tem a sua missão, acho que nada é por acaso, acho que quando a gente morre não acaba. Acredito em reencarnação, mas não sou bitolada. Não acho que se você está com humor virado é porque está com encosto. Não acho que tudo é culpa dos espíritos. Não acho que as coisas são por aí.

Respeito quem é judeu e também quero respeito. Respeito quem é crente e também quero respeito. Respeito quem é budista e também quero respeito. Respeito quem é ateu, por favor, me respeite também. Acho que, independente da religião, a gente tem que fazer o bem. E fazer o bem consiste em fazer as coisas de coração, por vontade, por se sentir em paz.

Acredito em energia boa e energia ruim. Quando entro em um ambiente, sinto direitinho a vibração daquele lugar. Quando conheço uma pessoa percebo na hora se ela tem uma energia boa. Acredito na lei do retorno: o que a gente faz (cedo ou tarde) volta pra gente. E se a gente mantém bons pensamentos e bons sentimentos coisas ruins não vão nos atingir.

Você pode achar tudo isso uma grande bobagem, mas é nisso que acredito. As pessoas precisam se respeitar mais. Não precisa concordar ou aceitar, mas o respeito é fundamental. Se você é vegetariano, não fique falando mal de quem come carne. Cada um tem uma opção, cada um faz a sua escolha. Respeito quem não come carne, mas eu adoro e não vou deixar de comer carne porque tem alguém buzinando no meu ouvido que um boi morreu e sofreu por causa daquele pedaço que estou mastigando. Conheço vários vegetarianos legais, mas conheço um bando de pé no saco, que faz cara de nojo, que começa a explicar todo o processo de morte do boi. Se você não bebe, respeite quem bebe. Eu bebo e respeito quem não gosta de álcool. Entende o que digo? As relações precisam se basear no respeito.

Hoje em dia está na moda dizer que não come carne, que faz ioga, que adota bicho e que é contra o uso de peles. Não uso pele de animal, acho um absurdo quem usa. Nunca comprei nada de pele e nem vou comprar. Não faço ioga, pois não tenho saco, acho parado demais. Não suporto aquelas musiquinhas com barulho de vento, de onda, de passarinho. Como carne e adoro um bom churrasco, assim como adoro peixes (não sou tão fã de frango). Nunca adotei nenhum bicho, mas ajudo uma ONG que cuida de animais abandonados. Moro em apartamento, não posso ter mais de um cachorro. E eu queria um cachorro pequeno por causa do espaço. Um filhote de vira-lata recolhido da rua é uma incógnita: você não sabe que tamanho o bicho vai ficar. Além do mais, tem a questão do pelo: moro junto com uma pessoa alérgica. Por isso, a gente queria um cachorrinho que não soltasse nadica de pelo. Sempre quis ter um yorkshire e ela se encaixava em tudo: pequena, não solta pelo e companheira. Hoje, é nossa maior alegria aqui em casa. Juno é uma benção.

O que importa é o amor que a gente tem pelos bichos, independente de serem ou não adotados. Independente de ser cachorro, gato, coelho, periquito, peixinho. O importante é tratar bem, dar carinho, atenção, amor, alimento, água, proteção. Trato bem todos os bichos, a minha e os outros, de rua ou não. E não sou uma pessoa melhor ou pior que alguém que adota ou não come carne. Como eu disse lá em cima, cada um faz as suas escolhas e tem suas próprias crenças.

Clarissa Côrrea

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