terça-feira, 5 de agosto de 2008

Menstruar ou não menstruar?

A interrupção da menstruação é um tema controverso entre os médicos desde que o ginecologista Elsimar Coutinho deu força a essa discussão há 40 anos no Brasil, defendendo que menstruar é algo antinatural. Há divergências também sobre quais métodos poderiam ser usados com maior eficiência, as vantagens e desvantagens e os efeitos colaterais.

O ginecologista Sérgio Rocha, por exemplo, chefe do instituto gaúcho que leva o seu nome, defende que a mulher deve se apropriar de seu corpo.

– No momento em que ela se conscientiza de que pode menstruar quando quiser e que isso não trará nenhum desconforto físico e psíquico, ela muda sua qualidade vida. O tratamento evita a oscilação hormonal que causa os sintomas da TPM (tensão pré-menstrual), trazendo benefícios na vida profissional e pessoal – afirma ele.

Segundo o especialista, a mulher tem de pesar os riscos e os benefícios e saber que é preciso uma atenção especial a hipertensas, fumantes, obesas e diabéticas.

Rocha explica que a maioria dos tratamentos disponíveis para manipular o ciclo menstrual segue o mecanismo da pílula. Eles enganam a hipófise, glândula que comanda a produção de hormônios que permitem a ovulação – o processo culmina na menstruação quando não há fecundação.

Para o ginecologista Malcolm Montgomery, uma das técnicas mais indicadas são os implantes feitos na nádega. Ele diz que o método permite selecionar o tipo e a quantidade de hormônios e ser montado tendo em conta o perfil e as necessidades da paciente.

– Temos uma taxa de sucesso superior a 95%. A quantidade de hormônio escolhida varia de acordo com a idade, o índice de massa corpórea, se a pessoa fuma ou se é sedentária. Os efeitos colaterais são benéficos. É possível propiciar mais libido ou favorecer o emagrecimento – afirma o ginecologista.

Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com TPM do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, afirma que, se o objetivo for combater a TPM, “o único tratamento reconhecido internacionalmente como padrão’’, ou seja, a primeira opção para tratar os sintomas principais são os inibidores da recaptação da serotonina (determinados tipos de antidepressivos). Segundo ela, há pacientes cujos sintomas predominantes são físicos, nos quais a interrupção traz benefícios. Porém, a ausência do estrogênio produzido pelos ovários e o excesso de progesterona ingerido podem provocar sintomas como calores, aumento do peso e diminuição da libido.

– Embora em muitos casos necessária, a interrupção só deve ser feita quando as vantagens do método forem maiores que os prejuízos.

Alguns desses prejuízos foram detectados em pesquisa realizada no HC entre 2000 e 2003, com mais de 300 mulheres, como retenção de líquido e aumento da pressã arterial.

Já o ginecologista Eliezer Berenstein, que no passado já foi contrário à supressão do ciclo menstrual, hoje considera razoável a tri-menstruação, ou seja, que a mulher menstrue a cada três meses.

– Desde que ela tenha indicação para isso – diz, referindo-se às mulheres com doenças como endometriose. Berenstein afirma, no entanto, continuar avesso à indicação de implantes à base de hormônios masculinos.

– Isso causa a virilização da mulher. Há hipertrofia do clitóris, das cordas vocais. Muitas mulheres que usaram estão arrependidas.
ZH/VIDA





























































Métodos para parar de menstruar
Fonte: Centro de Apoio a Mulher do Hospital das Clínicas de São Paulo e ginecologistas Malcom Montgomery e Sérgio Rocha
Técnicas Vantagens Desvantagens
Pílula normal: tomadas em cartelas mensais e que permitem à mulher correções da data da menstruação Barato e acessível, podendo ser usado a qualquer momento por quem já a utiliza como anticoncepcional Quando usada por muito tempo sem intervalo, pode causar diferentes efeitos colaterais, como aumento da pressão arterial
Pílula especial: Têm pequena dosagem de progesterona e é tomada seguidamente por tempo indeterminado Indicado para
mulheres mais jovens. Sem o estrogênio, consegue um bloqueio da menstruação com mais facilidade
São mais fracas que as demais pílulas e um pouco menos eficientes para impedir a ovulação
Implante subcutâneo: tubo implantado na nádega que libera hormônios. É novidade em relação ao Implanon, instalado no braço e que libera progesterona por até três anos Implante na nádega permite escolher hormônios segundo perfis, evitando efeitos colaterais e podendo influir na massa muscular e libido Mais caro e requer incisão. Variação de hormônios pode produzir resultados também variados
Contraceptivo injetável: doses grandes do hormônio progesterona são administradas por meio de injeções trimestrais
Possíveis efeitos colaterais como retenção de líquidos, acne, e
diminuição da libido, típicos de produtos a base de progesterona
DIU: semelhante ao DIU anticoncepcional, libera doses de progesterona por cinco anos. Tem ação local sobre o endométrio Inibição da menstruação e segurança de não ovulação Dificuldade de colocação pode prejudicar paciente com problema uterino

1 comentários:

lanny disse...

axei muito interessante a sua noticia.

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