terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Seu filho está gordinho?

Dobrinhas a mais: saúde a menos.
Se seu filho está mais rechonchudo que as outras crianças, abra os olhos. Ele pode estar precisando mudar a alimentação.

Foi-se o tempo em que crianças fofinhas e rechonchudas eram sinônimo de saúde. Cada vez mais preocupados com o excesso de peso e obesidade entre os baixinhos, os especialistas afirmam que os mimos e elogios de hoje podem se tornar a preocupação de amanhã.

Pior ainda se os quilos teimarem em permanecer na idade adulta. Para o pediatra e nutrólogo Nataniel Viuniski, de Caxias do Sul (RS), especialista em Obesidade Infantil e membro da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade), uma criança gorda de dois anos tem o dobro de chances de crescer com o problema. “Com o passar dos anos, as possibilidades só tendem a aumentar. Um adolescente obeso, por exemplo, terá entre 70% e 80% de probabilidade de ser um adulto gordo. Por essa razão, quanto antes o mal for atacado, melhor”, enfatiza Nataniel.

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que, em apenas 30 anos, o número de crianças e adolescentes do sexo masculino acima do peso no País subiu de 4% para 18%. Entre as meninas, o salto foi de 7,5 para 15,5%. A obesidade infantil, que já é encarada em todo o mundo como epidemia, atinge 6 milhões de brasileirinhos e brasileirinhas.

As causas são diversas

Antes de combater o problema devemos entender suas causas. Segundo o pediatra Nataniel Viuniski e a endocrinologista Léa Diamant, da Clínica de Especialidades Pediátricas, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), o aumento de peso se dá por uma série de fatores: — Predisposição genética: sabe-se, hoje, que cada ser humano tem cerca de 130 genes herdados dos pais e que estão relacionados ao ganho de peso. Quando um dos genitores é obeso, o risco do filho ser gordo é de 50%. Quando ambos são, a probabilidade sobe para 70%. Quando nenhum dos pais tem esse histórico, o risco cai a 10%”, explica o médico. — Clínicos: o organismo infantil está em desenvolvimento. Portanto, ao mesmo tempo em que a criança precisa comer menos para emagrecer, ela necessita de uma boa alimentação para crescer e ser um adulto saudável. Então, o processo de eliminação de peso deve ser lento e natural, para que o seu desenvolvimento não seja prejudicado. “Logo, se um garoto mede 1,35 m e pesa 42 kg, ele precisaria perder 10 kg. No entanto, como está em fase de crescimento, reduzimos esse número para a metade. Por que? Porque nesse período ele deve crescer entre 4 a 5 cm. Esse acréscimo na altura equilibra o peso em excesso”, afirma Léa Diamant.

Emocionais: desde bebê, meninos e meninas lidam com as emoções através do alimento. “Por qualquer motivo, a mãe oferece comida ou chupeta para o filho. Logo, o estímulo oral passa a ser uma mensagem de conforto, que geralmente a criança carrega para a vida adulta”, argumenta Viuniski.

Ambientais: “Nada imobiliza mais a garotada do que a TV, o computador, o videogame. Atualmente, eles dividem seu tempo assim: 4 horas para estudar, 8 dormindo e 4 na frente da TV”, garante. Uma coisa é certa: sentadas, as crianças e adolescentes não gastam calorias”, complementa. “A Academia Americana de Pediatria recomenda que não se deve passar mais que 2 horas na frente da televisão ou do computador”, adverte o médico. “Digo aos pais que não há maneira mais fácil de queimar energia do que brincando”, orienta.

Entre os principais causadores do sobrepeso e obesidade infantil estão os próprios pais, embora dificilmente eles se dêem conta disso. Se eles são sedentários, por exemplo, dificilmente exigirão que as crianças façam exercícios. Se comem mal, os filhos terão os mesmos hábitos. Para Léa Diamant, as crianças copiam os adultos. “Sim, pois não são os pequenos que decidem o que vão comer ou fazem as compras do mês. Por mais que peçam um doce qualquer, são os pais que levam os alimentos danosos para a casa.”

A piscológa Silvana Martani, da Clínica de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Beneficência Portuguesa (SP), concorda. “Há pais que compensam a própria ausência fazendo as vontades dos rebentos... e isso pode incluir o consumo de salgadinhos e outras besteiras que os baixinhos gostam, para que devorem. E mais: satisfazem todos os desejos, levando-os aos fast-foods, tudo de maneira a suprir uma falta que é emocional”, complementa.

Doces não podem ser rotina

Segundo ela, quando a família desvaloriza o alimento ou o contrário, supervaloriza as refeições em família, transformando- as em uma das principais fontes de prazer, as chances de a criança seguir o mesmo exemplo é grande. “Se o filho adora chocolate e, para vê-la feliz, o pai a presenteia com o doce vez ou outra, é perfeito. Agora, quando esse mimo torna- se uma rotina, o risco se instala” esclarece a especialista. Ou seja, o pai tem um estoque de bombons em casa para garantir a saciedade do pequeno pela guloseima diariamente. “A conseqüência é que, assim, ele acaba por aprender a agir como o adulto, passando a sentir aquele alimento como sua principal fonte de prazer”, finaliza.

Um estudo recente mostrou que 60% dos meninos e 78% das meninas do Rio de Janeiro não fazem nenhum tipo de exercício. Mas, no Brasil todo, as crianças adquiriram os novos e maus hábitos de passar o dia em frente à TV...

Onze dicas que previnem esse mal

1 Estenda ao máximo o período de aleitamento materno. Isso reduz o risco de obesidade por vários anos.

2 Ensine a criança a comer frutas, verduras e legumes. Mas dê o exemplo. De nada adianta tentar incutir neles o gosto por hortaliças, se os pais não cultivam o hábito de comê-las com prazer. “Eles devem servir de modelo”, orienta Léa Diamant.

3 Acostume os pequenos a fazer todas as refeições à mesa e nas horas certas e mantenha essa rotina.

4 Evite estocar guloseimas e refrigerantes em casa. A garotada não sabe resistir às tentações.

5 Não ofereça doces como prêmio por bom comportamento. Mas aceite negociações. “Se ela quer comer uma sobremesa calórica, diga que se comer a salada e os legumes durante a semana, vai ganhar uma fatia do pudim após o almoço de domingo”, sugere Léa.

6 Durante as refeições, não force a criança a comer. Se ela parou, parou.

7 Não mande salgadinhos industrializados, refrigerantes ou chocolates na lancheira. Opte por alimentos saudáveis: uma fruta e um pote de iogurte ou um sanduíche com um suco.

8 Invente programas que envolvam atividade física, de preferência ao ar livre. “Os pais devem estimular os filhos a jogar bola, brincar de esconde-esconde no prédio ou no quintal de casa. Na medida do possível, levá-los para caminhadas perto de casa ou a parques públicos, andar de bicicleta juntos”, lembra Nataniel Viuniski. “Só o fato de levar e buscar a criança a pé na escola, já auxilia na queima de gordura”, diz o médico.

9 Evite o mau exemplo. Nunca tome um refrigerante de 2 litros e proiba a bebida para a criança. Não esqueça que esse é um problema de família e não do seu filho. A mudança de hábitos alimentares deve servir para todos.

10 Não restrinja um tipo de alimento, mas sim a quantidade dele. Ou seja: não diga que ela nunca mais vai poder comer biscoito recheado. Vez ou outra, ofereça-lhe um ou dois biscoitos, informando-a que, como faz mal, é melhor não exagerar”, indica Silvana Martani.

11 Não espere a criança se tornar obesa, para procurar o médico. A qualquer sinal de sobrepeso, busque o pediatra para fazer uma investigação sobre sua saúde.

Por Fabiana Gonçalves no iTodas

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