terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Pesquisa inglesa alerta para epidemia de hepatites

E tem mais: se não cuidar, a doença pode desencadear uma outra epidemia, a de câncer no fígado.Recentemente, a “The British Liver Trust”, instituição que congrega gastroenterologistas e hepatologistas da Inglaterra, alertou publicamente para o aumento nos casos de câncer no fígado por conta das hepatites. Os dados são da Inglaterra, mas estudos em outros países confirmam os resultados encontrados.

Atualmente percebe-se que o não enfrentamento das epidemias de hepatites B e C está gerando uma nova epidemia, a de hepatocarcinomas. A diferença é que as epidemias das hepatites são desencadeadas por um vírus, já a epidemia de câncer é conseqüência da omissão ao tratamento das hepatites.

Em entrevista, Alison Rogers, hepatologista e chefe executivo do The British Liver Trust, declarou que a hepatite B já é a segunda maior causa de câncer, perdendo somente para o câncer causado pelo cigarro. “Os infectados com a hepatite B possuem cem vezes maior possibilidade de desenvolver câncer que pessoas sadias”, explica o especialista.

Segundo dados oficiais do governo inglês, 65 novos casos de cirrose dão entrada nos hospitais públicos do país a cada dia, totalizando mais de vinte e quatro mil casos por ano.

A situação no Brasil não é diferente. “Os números são menores porque são falhos, praticamente não existe diagnostico nem notificação”, afirma Carlos Varaldo, presidente do Grupo Otimismo de Apoio ao Portador de Hepatite.

Números do Ministério da Saúde mostram que somente um em cada 540 infectados com hepatite C está recebendo tratamento pelo SUS. O quadro na hepatite B é ainda mais dramático, sendo que somente um a cada mil pacientes recebe tratamento, números que se mantém sem crescimento nos últimos dois anos. São poucos mais de 10 mil pacientes em tratamento para um universo de aproximadamente cinco milhões de infectados com as hepatites B e C.

As doenças do fígado se encontram entre as cinco principais causas de morte no Brasil. Enquanto todas as outras doenças estão estáveis ou diminuindo, as mortes por conta de complicações no fígado estão aumentando. Em 2006 faleceram no mundo aproximadamente 1,2 milhões de pessoas por conta da hepatite B.

Existem medicamentos e tratamentos que conseguem curar grande numero de infectados com as hepatites ou no mínimo controlam a infecção e evitam a cirrose e o câncer. “Para tratar a hepatite B existe uma vacina altamente eficaz, mas tristemente constatamos que falta coragem ao governo para enfrentar a maior epidemia que assola o Brasil, a das hepatites B e C, uma epidemia que, em número de infectados, é dez vezes superior a epidemia de Aids”, diz Varaldo.

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