quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Guga e o tênis: uma história de amor

A trajetória de Gustavo Kuerten desde o primeiro título de Roland GarrosPor mais de cinco anos, Guga preferiu ficar com a dor física no quadril a ter que dar o adeus às quadras. Não foi pelo dinheiro — sua fortuna é estimada em U$45 milhões —, nem pela vaidade. A dor do adeus é muito mais forte para ele, que desde pequeno se dedicou ao tênis.

Jogava com garra de campeão e treinava com tamanha dedicação e determinação, que Guga se tornou um atleta raro. Nosso eterno campeão do tênis não abandonou as quadras simplesmente porque jogar foi o que ele fez durante toda a vida. E sim, porque é o que ele tanto ama fazer.

O esporte retribuiu este sentimento com glórias, fama, admiração e fãs nos quatro cantos do mundo. Mesmo com uma estante cheia de títulos, Guga não se acomodou e manteve sua paixão entrando em quadra, dedicando-se à recuperação física, ao aperfeiçoamento técnico.

Lutando contra a aposentadoria, ele foi um guerreiro. Há quem diga que o melhor momento para o adeus às quadras fosse aquele em que ele ainda estivesse em alta. Para Guga, porém, o melhor momento de parar nunca chegou. Nem mesmo agora, que ele declara o adeus. É, na verdade, uma atitude sensata, embora em momento nenhum tenha sido desejada.

Guga não deixará de reinar no esporte brasileiro. Seja nas memórias, nas quadras públicas que servem de palco aos novos praticantes do tênis, nas competições que agregam centenas de crianças que sonham em um dia chegar onde ele, e só ele no país inteiro chegou.

Para relembrar dos principais momentos em que a bandeira brasileira esteve em evidência no tênis mundial, carregada pelo catarinense Gustavo Kuerten, o clicRBS preparou uma retrospectiva dos títulos mais importantes do tenista. Abaixo, os anos de Guga desde a primeira conquista de Roland Garros:

A trajetória de Guga
1997
Foi quando tudo começou. Pelo menos para o tênis mundial. A apresentação de Guga em Roland Garros era apenas o primeiro de muitos títulos do catarinense no saibro. A vitória no Grand Slam de Paris, sobre Sergi Bruguera, parciais 6-3 6-4 6-2, projetou a carreira do tenista. No mesmo ano, ele ainda conquistou o vice-campeonato de Bologna (Itália) e Montreal (Canadá) e chegou à 15ª posição do ranking mundial.

1998
O tenista manteve a boa fase e o respeito no esporte mundial vencendo também os torneios de Stuttgart, na Alemanha, em uma final contra o argentino Guillermo Canas. Também conquistou o título em Mallorca, na Espanha, vitorioso em uma decisão contra seu amigo, o tenista da casa Carlos Moya. Estava comprovado o talento de Guga no saibro, porém, a consagração viria mais adiante.

1999
Mais uma vez o tenista se destacou no saibro. Neste ano, foi a vez de levar o título do Masters Series de Roma, uma das competições mais importantes disputadas neste piso. Na final, Guga venceu o australiano Patrick Rafter, que em julho do mesmo ano atingia a 1ª posição do ranking mundial.

2000 "O ano"
Este foi o grande ano do tenista. Sem dúvida, se sua trajetória já inspirava sucesso desde o início da carreira, foi em 2000 que ele se consagrou como um dos maiores tenistas, especialmente no saibro. Faturou os títulos de Santiago (CHI); do Masters Series de Hamburg (ALE); foi bicampeão em Roland Garros em uma final contra o sueco Magnus Norman; venceu na quadra dura, em Indianapolis, diante do russo Marat Safin; e, para consolidar o ano, foi campeão da Tennis Masters Cup, vencendo na semifinal ninguém menos que Pete Sampras, em quatro sets, e chegando à final contra o norte-americano André Agassi, sendo vitorioso por triplo 6/4. Resultado? Gustavo Kuerten assumiu a ponta do ranking mundial e se manteve nela por 43 semanas, mas isso já é papo para o ano seguinte.

2001
A manutenção de Guga na ponta do ranking mundial teve início pela vitória no saibro do torneio de Buenos Aires, no mês de fevereiro. No mesmo piso, em Mônaco, Guga faturou também o título do Masters Series de Monte Carlo. As atuações do catarinense melhoravam a cada partida. Até que em maio, Paris faz reverência a Guga. Ele ergueu a taça de Roland Garros pela terceira vez, sagrando-se um dos melhores tenistas de saibro que o mundo já viu. De Roland Garros, ainda foi à Alemanha conquistar o troféu de Stuttgart, pela segunda vez; a Cincinnati, onde venceu seu segundo torneio importante em piso rápido, novamente contra Rafter, de quem perdeu na final de Indianapolis, na semana seguinte.

2002
Após cair na primeira rodada do torneio de Buenos Aires, diante do argentino Agustin Calleri, Guga deu um tempo nas quadras e foi tratar a saúde. Fez sua primeira cirurgia do quadril e ficou dois meses afastado dos torneios. Aos poucos, o brasileiro foi retomando a forma, para chegar em setembro e impressionar a torcida do seu país, com o troféu na Costa do Sauípe, em piso duro, numa final acirrada contra o argentino Guillermo Coria. Chegou ainda à final do torneio de Lyon, na França, em piso de carpete.

2003
O ano começou com o título do torneio de Auckland, na Nova Zelândia. Em março, chegou à final do Masters Series de Indian Wells, em quadra dura. O ano não foi tão produtivo para o tenista, que só em setembro, e no seu país, voltou a ter bons resultados, chegando à semifinal na Costa do Sauípe. Fechou o ano vencendo o torneio de São Petersburgo, na Rússia, mais um em piso rápido.

2004
Em Auckland, o catarinense chegou à semifinal, logo emendando outro bom resultado, a final em Vina del Mar (CHI) e o título de Sauípe, que neste ano começava a ser disputado em saibro. Em Roland Garros, venceu por 3 a 0 o suíço Roger Federer — que já era o número 1 do mundo —, e chegou às quartas-de-final, quando voltou a sentir dores fortes no quadril. Este ano pode ser considerado um divisor de águas na carreira do tenista e, infelizmente, pelo lado negativo. Guga precisou se submeter a uma nova cirurgia em setembro.

2005
Pela primeira vez desde 1995, Guga finalizou uma temporada fora do grupo dos 100 melhores do mundo. O catarinense retornou às quadras apenas em abril, mas sem obter resultados expressivos. Disputou, entre outros torneios, Roland Garros (caiu na primeira rodada), Aberto dos EUA (foi à segunda fase) e os masters Series de Hamburgo, Roma, Monte Carlo além de ter defendido o Brasil nos duelos pela Copa Davis contra o Uruguai, em Montevidéu, e Antilhas Holandesas, em Joinville (SC). No começo do ano, em março, Guga anunciou o término da sua parceria de 11 anos com o técnico Larri Passos.

2006
O ano passou praticamente em branco para Guga. Ele disputou apenas dois jogos de simples na temporada, um no challenger de Santiago, no Chile, e outro no ATP na Costa do Sauípe, sendo eliminado na primeira rodada em ambas as competições. Já pelas duplas, o catarinense jogou mais na temporada. Na Copa Davis, defendeu o Brasil contra o Peru (venceu a dupla ao lado de Sá) e Suécia (também ao lado de Sá, acabou derrotado e o Brasil perdeu o confronto, dando adeus ao sonho de voltar à elite do torneio). Seu melhor resultado nas duplas foi na Costa do Sauípe, onde alcançou as semifinais com Sá. O ano também marcou a volta com Larri Passos.

2007
No ano passado, Guga disputou nove partidas pelo circuito da ATP e venceu apenas duas (em Las Vegas e Costa do Sauípe). Nas duplas, dos 10 jogos disputados, foi derrotado em oito. Sua vitória mais empolgante foi contra o então número 44 do mundo, Filippo Volandri, na primeira rodada na Costa do Sauípe, na Bahia. A participação de Guga na competição não durou muito: parou na rodada seguinte, diante do compatriota Flávio Saretta.

Fonte

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