terça-feira, 22 de janeiro de 2008

COMO SOBREVIVER AOS CHATOS PROFISSIONAIS

Já aconteceu de você deparar com um colega de trabalho cheio de boa vontade que, no final, acabou atrapalhando seu desempenho? Para pôr um fim a essa e outras armadilhas que pretensos amigos propiciam, o primeiro passo é analisar o comportamento de cada um deles e separar o ambiente profissional do pessoal. "Só porque você encontra a pessoa diariamente não significa que sejam amigos íntimos", lembra a consultora Regina Silva, do Instituto Gyraser, especializado em gestão de carreiras. "Enquanto o amigo o apóia, o colega dá opinião sem pensar em você. Vale se perguntar: ele tem o telefone da minha casa? Poderia ligar pra ele de madrugada? Apresentaria a minha família a ele? Muitas situações constrangedoras ocorrem porque nós damos espaço a essas pessoas e pedimos sua opinião", complementa. Com o auxílio de Regina e de Elaine Saad, diretora executiva da Right Saad Fellipelli, também especializada em consultoria e gerenciamento de carreira, identificamos perfis que podem atrapalhar seu crescimento profissional e indicamos maneiras de evitá-los sem se comprometer.

O PALPITEIRO OBSESSIVO

Facilmente reconhecível, ele quer participar de tudo - inclusive dos projetos que não competem a sua área - e nunca deixa de dar opinião, mesmo quando ninguém pede. Você também vai vê-lo distribuindo conselhos de etiqueta na empresa. "O melhor a fazer, nesse caso, é não abrir espaço. Seja educado, dê bom dia, boa noite, mas não pergunte as impressões pessoais desse colega", orienta a consultora Regina Silva. Muitas vezes a intromissão começa com algo inofensivo, como um cumprimento. Se você responder que não está bem, que está com dificuldade em formular uma planilha, já vai dar motivo para o palpiteiro entrar em ação. E se ele se manifesta mesmo sem você perguntar? "Agradeça, diga que vai pensar no assunto. Mas não leve em conta observações de quem você não confia. O melhor a fazer é seguir sua própria percepção", diz Regina. Caso esteja incomodando demais, Elaine Saad dá um conselho mais incisivo: "Chame esse colega para uma conversa particular e conte como você se sente quando ele palpita demais".

O SENHOR SIMPATIA

Claro que estar sempre bem-humorado e cultivar um bom relacionamento com os parceiros de trabalho conta pontos a favor. No entanto, conviver com quem usa o networking para se exibir não é lá tão agradável. "Essas pessoas geralmente valorizam aquilo que pensam ter, e não o que são", destaca Elaine. A orientação é analisar não só o que o colega fala, mas o que faz. "Fique atento para não se impressionar com o que ele conta. Aqui vale a regra que citei anteriormente: seja educado, cumprimente, mas não se envolva", sugere Regina.

O CAMPEÃO DA HORA EXTRA

Quando você chega ele já está no escritório e, no final do expediente, diz que vai ficar até mais tarde. Como essa atitude se repete quase que diariamente, você se sente na obrigação de fazer horas extras também. Cuidado, extrapolar o horário de trabalho regularmente nem sempre é visto com bons olhos. Pode ser sinal de que você não está dando conta do recado, de que está tendo dificuldades, é desorganizado ou não tem competência para o cargo. "As pessoas costumam achar que o esforço é a característica mais importante, mas, geralmente, para a chefia o que ela leva mais em conta é o resultado", garante Regina. "Tudo depende da maneira como você vai vender isso para o seu superior. Ele quer ver o que você agregou, o que conseguiu de interessante para a empresa e quer que o prazo seja respeitado", ressalta. Portanto, nada de exaltar o quanto você se sacrificou dizendo que deixou o escritório de madrugada. "É preciso ter confiança no seu desempenho. Se você está cumprindo as tarefas, não há motivo para ficar depois do expediente. Vale lembrar que cada pessoa tem um ritmo diferente", alerta Elaine. É isso: o melhor ritmo é aquele que faz você cumprir suas metas no prazo. E isso não é um mérito em si mesmo. É o básico.

O PUXADOR DE TAPETES

Ele não vai pensar duas vezes se tiver oportunidade de puxar o seu. Afinal, quer ser promovido custe o que custar. Desconfie se um colega se mostrar solícito demais e, na hora H, não te ajudar. "Geralmente eles têm ótimas desculpas e a vítima acaba acreditando", alerta Regina. Caso ele seja peça-chave no seu trabalho e insista em dificultar, peça ajuda ao superior, com discrição.

O REIS DA FOFOCA

Presença assegurada em dez entre dez empresas. A primeira atitude para driblar um fofoqueiro é não colocar lenha na fogueira. "Se os comentários começarem a atrapalhar o trabalho, chame o colega para conversar e esclarecer o ocorrido, de maneira elegante, claro", ensina Regina. Reflita se seu comportamento não estimula a fofoca. Afinal, ela pode resultar em algo mais sério. "Caso os comentários sejam maldosos ou graves, relacionados a informações sigilosas da empresa ou da vida pessoal de um funcionário, por exemplo, leve o caso para a chefia ou o RH", orienta Elaine. "Essa atitude é como um câncer. Se não tratar, o ambiente fica cheio de conversas paralelas", complementa.


O FALSO LÍDER

É aquele subordinado que tenta assumir o papel do chefe, exagerando na dose de liderança. Geralmente esse tipo de pessoa age se aproveitando de uma fraqueza do outro. Se necessário, procure ajuda de um gestor de carreira ou até mesmo de um psicólogo, que vai trabalhar seus medos e inseguranças. Como lidar com esse colega? Agradeça a contribuição e a preocupação, diga que vai pensar no assunto e não deixe de lembrá-lo de que você é capaz de resolver os problemas sozinho.

O RECLAMÃO HIPERATIVO

Pode ser o trânsito, o tempo no final de semana, a reunião na segunda-feira ou o chefe exigente. Tudo é um motivo para ele reclamar. Mais uma vez, a orientação é ouvir - e não alimentar a fogueira. "Se ele reclama e você o apóia, reclamando também, cria-se uma área de conforto para ambos e essa atitude se torna recorrente", diz Regina. Para não se envolver, responda com algumas perguntas: Isso sempre acontece? Você já conversou com ele? Não é só uma fase? "Muitas vezes quem tem o hábito de reclamar não se dá conta disso. É importante conversar com a pessoa e dizer o quanto esse costume é negativo. Afinal, não acrescenta nada, o ambiente fica pesado e atrapalha o rendimento", pondera Elaine.

O BALADEIRO DE PLANTÃO

Ele encaminha correntes, convites de festa, piadas. Resultado: caixa de e-mail lotada antes do meio-dia. Se a sua empresa vigia o correio eletrônico, nada precisa ser feito por você, pois, certamente, alguém vai adverti-lo. Se sua companhia não faz marcação cerrada, converse com o colega. "Use o próprio e-mail para dizer delicadamente que não quer mais receber esse tipo de correspondência, e peça para ser excluído do mailing dele", orienta Elaine. Outra opção é passar o endereço pessoal para o colega encaminhar mensagens desse tipo.

O CLÁSSICO BAJULADOR

Ele se desmancha em tantos elogios que você se sente incomodado. Além disso, dá para notar que não é sincero. É bem diferente de um amigo que o admira e faz comentários pontuais sobre seu desempenho - e isso quando é realmente importante. O primeiro passo é identificar se o bajulador tem algum tipo de interesse. "Algumas pessoas elogiam todo mundo porque têm medo de criticar e falar não", comenta Regina. "O melhor a fazer é agradecer e dizer que aprecia elogios, mas que só eles, o tempo todo, não vão te conquistar. O outro funcionário precisa mostrar o que ele tem de bom", diz Elaine.

O SEMPRE DO CONTRA

O perigo desse colega é que, por ser persuasivo, estimula comportamentos que não são típicos seus. Ele se exalta, toma as dores dos outros, se rebela contra novas normas da empresa, faz intrigas e está sempre exigindo ou cobrando. Muitas vezes ele não toma uma atitude sozinho e por isso precisa influenciar os outros. Tenha em mente que as opiniões dele não são as suas e não tome nenhuma decisão que ele considera certa sem parar para pensar no assunto.

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