segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Será que seu filho um dia vai virar fumante?

Nove em cada dez adultos que fumam iniciaram o vício bem antes dos 18 anos. O que você pode fazer para que seu filho não engrosse essa triste estatística? Faça o teste no final da matéria e veja qual o risco que ele corre de se tornar um dependente do tabaco.

Os dados do Ministério da Saúde são de deixar os pais de cabelo em pé. Seis em cada dez crianças entre 10 e 14 anos já deram suas tragadas. Nessa faixa etária, o número das que fumam diariamente chega a 400 mil. Somando todos os jovens em idade escolar, ou seja, entre 10 e 18 anos, cerca de 3 milhões pasme! já estão completamente dependentes da nicotina.

Em matéria de tabagismo, os brasileirinhos estão entre os mais precoces: eles dão as primeiras baforadas aos 13,5 anos, em média. Não à toa, os especialistas apostam que a melhor maneira de diminuir o contingente de fumantes no país e, conseqüentemente, as encrencas relacionadas ao tabaco é conscientizar a garotada de que ficar aspirando fumaça não está com nada. Afinal, o tabagismo é responsável por 30% das mortes por câncer em geral, 90% das que ocorrem por tumores de pulmão e 25% das provocadas por infarto e derrame.

Mas tanto os pais quanto os educadores enfrentam um dilema: como abordar esse assunto sem chatice ou, como diriam os jovens, sem caretice. Dizer simplesmente um não bem redondo ou, pior, ameaçá-los caso insistam no hábito tem efeito contrário, adianta o oncologista José Clemente Linhares, do Instituto de Oncologia do Paraná, em Curitiba, vencedor do 2° Prêmio SAÚDE! na categoria relacionada às crianças.

Segundo ele, é possível tratar essa questão pesada de uma maneira leve. Aliás, foi por isso que Linhares levou nosso troféu para o Paraná. Ele e um grupo de teatro escreveram uma peça sobre o tema que já foi apresentada a mais de 15 mil adolescentes de escolas públicas, particulares e outras instituições. A encenação mostra o que nos faz procurar o cigarro e explica que devemos ser mais fortes do que a influência dos amigos ou da mídia, resume. Depois da apresentação os jovens debatem o assunto e escrevem depoimentos com sua opinião. Você, aliás, pode fazer algo parecido em casa: chamar seu filho para uma boa conversa e aprender a ouvir o que ele pensa disso tudo. Sem, de novo, caretice.

Participar efetivamente da vida dos filhos e isso significa, entre outras coisas, acompanhar de perto seu desenvolvimento e conhecer bem seus amigos ajuda a afastar o cigarro de casa. Em geral os estudantes passam a fumar porque precisam sentir que fazem parte do grupo, sobretudo se a maior parte da turma já dá suas tragadas. Questão de auto-afirmação afinal, ter um cigarrinho fumegando entre os dedos dá mais segurança nessa fase da vida.

Manter diálogo é essencial, garante a pneumologista Maura Malcon, uma das maiores especialistas brasileiras no tema, que se dedica a investigar o tabagismo na garotada na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul. O adolescente é ávido por informações e, para engatar uma boa conversa, nada melhor do que estar cheio delas, diz Maura. Mostre reportagens e livros sobre tabagismo e converse a respeito. O oncologista José Clemente Linhares dá outra dica: Evite a proibição. A escolha é dele. O importante é que esteja o mais consciente possível ao fazê-la.

Segundo os especialistas, os jovensn sofrem de uma síndrome de super-homem, porque acreditam que não vão se viciar. Uma pesquisa do Datafolha aponta que menos da metade dos estudantes que fumam se considera dependente da droga. Esse engano tem a ver com o desconhecimento sobre os efeitos da nicotina uma das substâncias que mais levam à dependência, comparável à heroína, conta o psiquiatra André Malbergier, do Grupo Interdisciplinar de Estudo sobre Álcool e Drogas, da Universidade de São Paulo, a USP.

O CORPO EM DECADÊNCIA
Mas atenção: falar sobre os efeitos deletérios do fumo a longo prazo surte poucos efeitos em uma conversa com adolescentes. Para eles o futuro está lá looonge. É mais convincente explicar o que acontece depois dos primeiros cigarros já, agora! Conte que os dentes se tornam amarelos, o hálito fica ruim e a capacidade física diminui a cada dia, sugere Malbergier. É verdade. Quem fuma tem muito menos pique para correr, nadar, dançar na balada.

Os meninos se impressionam com o fantasma da impotência sexual associado ao vício. Já as meninas detestam saber que a pele fica mais feia nos primeiros meses e que envelhecerá precocemente.

Talvez você tenha ouvido falar que o número de tabagistas no Brasil tem caído consideravelmente. Para adultos isso é verdade. Em 1989 cerca de 32% deles fumavam. Em 2003 esse índice despencou para 24%. Já o número de jovens fumantes não vem regredindo no mesmo ritmo. Em 1989 quase 13% dos adolescentes fumavam. Em 2003 10,5% deles eram dependentes da droga. É a ala feminina que emperra a queda. As meninas têm tragado cada vez mais, diferentemente dos garotos.

PAPÉIS INFLUENTES
Alguns fatores que levam um adolescente ao tabagismo
AMIGOS Quando a turma toda fuma, as chances de ele também começar a tragar se multiplicam.
IRMÃOS O mais velho já é fumante? Então o risco de o mais jovem entrar nessa é enorme..
PAIS Crescer em um ambiente de tabagistas induz ao hábito. Para piorar, pesquisas mostram que a dependência química pode ser herdada.
DESEMPENHO ESCOLAR Ninguém sabe o porquê, mas jovens que não vão bem na escola são os que começam mais cedo a dar suas baforadas e, ainda por cima, fumam mais.

DIFERENÇA ENTRE OS SEXOS

Pesquisadores americanos descobriram que as garotas ficam viciadas em cigarro mais rapidamente do que os garotos, mas ainda não sabem por quê

A MELHOR CONVERSA
Saiba o que você deve ou não fazer para convencer seu filho que fumar não está com nada

ISTO É BOM
Habitue-se a conversar sobre tudo para ganhar confiança. Aí, quando o cigarro virar o tema, será mais fácil persuadi-lo dos seus malefícios.
Fique atento no comportamento e nas amizades. O jovem é influenciável e gosta de imitar o que a turma faz. Explique a roubada que é fumar e por que é bom resistir à tentação mesmo que os amigos se reúnam para dar suas baforadas. Assim você também contribui para que ele tenha uma personalidade forte o que será ótimo em outras situações que enfrentará.
Mostre os efeitos deletérios do fumo a curtíssimo prazo dentes amarelados, hálito ruim, roupas cheirando a cigarro.

ISTO É PÉSSIMO
Proibir simplesmente, sem maiores explicações.
Brigar quando desconfiar que ele está fumando é contraproducente.
Impedi-lo de ver os amigos fumantes só vai deixá-lo mais revoltado. Agindo assim você incita seu filho a mentir.
Pouco adianta bater na tecla de que o cigarro mata. É claro que esse alerta é importante, mas para o jovem não funciona. Trata-se de uma ameaça muito distante da sua realidade e do momento que está vivendo.

PAIS QUE FUMAM
É quase impossível convencer um adolescente a não acender o cigarro quando o pai ou a mãe fazem isso. O ideal seria evitar as tragadas na presença das crianças desde a mais tenra idade. Se, no entanto, o adulto não consegue parar de fumar, quando o filho perceber a contradição, use de sinceridade. Fale sobre a dependência química e explique o quanto é difícil acabar com ela, recomenda a pneumologista Maura Malcon. Aliás, tire proveito da situação e peça para que seu filho se alie a você nessa luta, em vez de se tornar seu companheiro de maço. Se o adolescente acompanha o drama que é abandonar o vício, nota a importância de evitá-lo ele também, explica Maura.

Por ANDERSON MOÇO na revista Saúde

Faça o teste: Será que seu filho um dia vai virar fumante?

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