quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Seis meses de licença-maternidade são essenciais para a saúde do bebê

A aprovação da licença-maternidade maior pela Comissão de Direitos Humanos do Senado é, sobretudo, um incentivo à saúde. A “adição” de dois meses facilita a prática da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno por seis meses e, com complementos, até o segundo ano de vida.

"O ideal seria que as mães tivessem licença até um ano, pelo menos, como acontece nos países desenvolvidos”, afirma o pediatra da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Ary Cardoso. “Do ponto de vista biológico, isto só traria vantagens para o bebê: imunidade mais adequada, melhor desempenho no desenvolvimento neurológico e sensorial, menos infecções e, conseqüentemente, um desenvolvimento harmônico, que certamente traz saúde e previne doenças no futuro”.

Cardoso explica que o leite materno é rico em diversas substâncias que fortalecem o sistema imunológico do bebê. Dentre elas, destacam-se os anticorpos e prebióticos, caracterizados por fibras dietéticas que não sofrem digestão no intestino delgado e são fermentadas no cólon. “Isto estimula o crescimento de bactérias benéficas ao organismo, que auxiliam na prevenção de doenças alérgicas, dislipidemias (presença de níveis anormais de lipídios no sangue) a doenças neoplásicas (resultantes do crescimento exagerado das células)”.

“Os carboidratos correspondem a 35 a 44% do leite materno e a principal função é o fornecimento de energia para o bebê”, diz Cardoso. Ele explica que o prebiótico, um tipo de carboidrato que é o terceiro maior componente do leite materno, fortalece o sistema imunológico garantindo uma microflora intestinal saudável. Resultado: o risco de contrair infecções é menor, especialmente as mais comuns na infância, como infecções respiratórias, diarréia e quadros de alergia. “Estudos clínicos demonstram que os prebióticos reduzem significativamente a incidência de dermatite atópica (alergia na pele, que causa coceira e vermelhidão) em bebês até os dois anos de vida, e aumentam os níveis de anticorpos, garantindo a imunização da mucosa intestinal”.

Desde 1981 o Brasil se comprometeu a desenvolver políticas de proteção e promoção do aleitamento materno. Mesmo assim, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, alerta para o fato de que, a cada ano, mais de 100 mil crianças não completam o seu primeiro ano de vida. A média de aleitamento materno exclusivo é apenas de 38,8 dias.

“Houve um acréscimo de quase 30% em relação ao final dos anos 80, mas ainda é uma taxa muito baixa de amamentação”, afirma Cardoso. “É nosso papel, como pediatras, continuar a buscar um incremento nesses números e uma das batalhas ganhas foi a de prorrogar a licença-maternidade”, completa.

Composição do leite materno
Carboidratos (35 a 44%) - Fonte de energia. Os mais importantes são a lactose e os oligossacarídeos prebióticos.
Gorduras (35 a 58%) - Fonte concentrada de energia que provê mais de 50% das necessidades do bebê. Rica em ácidos graxos importantes para o desenvolvimento do cérebro, da retina e dos tecidos nervosos.
Proteína (5 a 7%) - Fonte de aminoácidos importantes para o crescimento e desenvolvimento da criança.
Cálcio e Fósforo - Atuam na formação dos ossos e dentes.
Vitamina A - Envolvida nos processos de crescimento, desenvolvimento visual e integridade do sistema imunológico.
Ferro - Previne a anemia

Por: Tatiana Gerasimenko no IG

1 comentários:

Aurea disse...

Ei Amiga,
Estou dando uma passadinha rápida por aqui e pelo arquivinho! Como sempre, Tudo de Bom, sempre com ótimos posts!
Peguei um resfriado forte e não vou me demorar na net, mas não podia deixar de passar por aqui!
Muitas bjks,
Áurea

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